Highslide for Wordpress Plugin
 
Edição de Setembro de 2014

Edição de Setembro de 2014

“Tudo certinho?” Mais ou menos, Ricardo, poderia...

Artigos

Os Documentos Conciliares (I)

Publicado em 24/09/2013

Dom Demétrio Valentini*

Constituições, Decretos e Declarações, sementeiras fecundas e generosas de renovação da Igreja

vaticano 921O Concílio Vaticano II foi um acontecimento intenso, que suscitou muitos desdobramentos, desde o dia do se anúncio. Ele criou um clima tão intenso de participação, em torno de uma proposta envolvente de renovação eclesial, desencadeando um processo que se inseriu de maneira muito profunda na vida da Igreja. Tanto que para analisar a Igreja em nosso tempo é muito válido colocar o Concílio Ecumênico Vaticano II como o grande divisor de águas da Igreja em pleno século 20.

Todo esse impulso renovador precisava ficar de alguma maneira registrado. E o Concílio o registrou bem, com seus 16 documentos estudados, aprovados e promulgados. Portanto, levando-se em conta que se trata de um evento que valeu por si mesmo, é muito importante conferir também os seus documentos, que, por sua vez, são a expressão mais objetiva e mais segura dos ensinamentos oficiais que o Concílio nos transmitiu.

À primeira vista, parece ser difícil lidar com os 16 documentos do Conciliares. Podemos ter a sensação de entrar num emaranhado sem encontrar o fio da meada. Porém, tudo fica mais fácil quando lembramos que o Concílio teve um grande tema central, que foi a Igreja. E que ele possui um documento central, mais importante, mais consistente, mais denso do ponto de vista doutrinal e teológico. Este documento é a Lumen Gentium (LG). É o documento sobre a Igreja.

Uma constelação
– Todos os outros 15 documentos giram em torno da Lumen Gentium. Aí já nos situamos melhor. Como comparação, podemos usar a imagem da Constelação Solar e teremos uma visão panorâmica dos documentos conciliares.

Os documentos do Concílio formam uma espécie de Sistema Solar, no qual a Lumen Gentium é o sol, ao redor do qual giram todos os seus planetas, que são os outros documentos. Portanto, uma constelação com um sol que ilumina todos os outros, e os atrai em torno de si próprio, permitindo-nos afirmar que todos os documentos falam, de alguma maneira, da Igreja de Cristo. Eles confirmam a constatação de que este Concílio foi claramente eclesial.

Tipos de documentos – Estabelecida a centralidade da Lumen Gentium, avançamos um pouco mais na compreensão dos documentos conciliares, percebendo que são de três tipos.  Alguns documentos são Constituições, outros, Decretos e Declarações.

As Constituições, como a própria palavra indica, são documentos que se referem à essência da vida da Igreja, e trazem ensinamentos sobre o mistério da Igreja e a missão que ela recebeu de Cristo.

O Concílio elaborou quatro Constituições. Uma delas é a própria Lumen Gentium, que procura dar a descrição geral de toda a Igreja. As outras três são a Dei Verbum (DV), sobre a Palavra de Deus e sua importância na vida da Igreja. Depois vem a Sacrosanctum Concilium (SC), que fala da atividade mais importante da vida da Igreja: a Liturgia. Em seguida a Gaudium et Spes, que se refere ao relacionamento da Igreja com o mundo, onde a Igreja se faz presente e se coloca a serviço da humanidade.

Os Decretos são nove.  Eles têm caráter mais prático, de orientação pastoral, sendo que todos eles supõem o ensinamento contido nas Constituições. O decreto Unitatis Redintegratio (UR), que quer dizer: “A recuperação da unidade”. Recordemos o decreto Orientalium Ecclesiarum (OE), que fala do relacionamento com as Igrejas Orientais, de tradição ortodoxa, mas unidas a Roma, e o decreto Ad Gentes (AG), que trata da promoção da ação missionária na Igreja.

Em seguida temos cinco Decretos que tratam de sujeitos eclesiais específicos, sobre os quais a Lumen Gentium já tinha se pronunciado para situá-los no contexto da Igreja. Esses sujeitos eclesiais são: os bispos, com seu decreto Christus Dominus (CD); os presbíteros, com dois decretos, um sobre a vida e o ministério dos presbíteros e outro sobre a formação dos presbiteral, com os decretos Presbyterorum Ordinis (PO) e Optatam Totius (OT); o decreto sobre a vida religiosa Perfectae Caritatis (PC), e sobre a atuação dos cristãos leigos Apostolicam Actuositatem (AA). E o decreto Inter Mirifica (IM) sobre os meios de comunicação social.

Esses nove Decretos procuram aplicar na prática o ensinamento da Lumen Gentium. Além das constituições e decretos, o Concílio aprovou três Declarações sobre assuntos que não diziam respeito só à vida da Igreja, mas a todo o mundo. Ele se pronunciou sobre a importância da educação: Gravissimum Educationis (GE);  sobre a liberdade religiosa: Dignitatis Humanae (DH); e sobre as grandes religiões: Nostra Aetate (NA).

A grande obra – Se já sabíamos que o Concílio foi um grande acontecimento que suscitou um intenso processo de desdobramentos eclesiais, agora podemos constatar que ele revela sua grandeza também por suas afirmações doutrinais, suas recomendações pastorais, e suas preocupações sociais, com as Constituições, Decretos e Declarações. Tudo ao redor do grande tema desse Concílio, que foi a Igreja, ele descreve na Lumen Gentium!

*Bispo de Jales

 

Queremos saber a sua opinião! Deixe aqui o seu comentário:

Current month ye@r day *